Mamutte


Biografia


Com Plutão em Escorpião, Urano e Netuno em Capricórnio e Saturno em Aquário, no inverno de 1991, com a Lua em Touro, nasceu sobre o Sol de Câncer do dia 7 de julho, às 11:05h na maternidade Ernesto Gazzoli em Belo Horizonte, com ascendência em Libra, Mercúrio, Vênus, Marte e Júpiter em Leão. Foi criado no bairro Santa Tereza, em um quintal que confluía na convivência de seus Tios-Avós paternos e de uma prima adotiva, cheia de particularidades neurológicas e comportamentais. Aos fundos, sua Avó, cunhada da família provinda da cidade de São Sebastião do Rio Preto. Aos arredores da Serra do Espinhaço, rumo ao alto Jequitinhonha, Conceição do Mato Dentro era o outro lugar de matriz genealógica, cujo destino se fazia constante em visitas à família materna.

O convívio com hábitos interiorano que teve entre o terreiro da casa da família no tradicional bairro da capital e as ruas das cidades localizadas entre as divisas das bacias do Rio São Francisco e do Rio Doce, contribuiu essencialmente em sua experiência expressiva. Acordando com os sons das alvoradas, das fortes presenças das Marujadas pelas ruas de ambas as cidades, os batuques das caixas, pandeiro e violas, indumentárias com espelhos e fitas coloridas, danças caboclas, corporeidades negras, festas religiosas e os cortejos do Reinado, onde precocemente foi príncipe, em uma das festas do Rosário no distrito de Córregos, cidade natal de sua Mãe, em que um tio foi o Rei festeiro. Estimularam junto as inventivas e solitárias construções visuais e o espaço para as ludicidades dramáticas, a potência artística da espirituosa criança brincante.

Mais tarde, vivendo no bairro Alípio de Melo, na região noroeste de BH, ganhou seu primeiro violão aos 10 anos de idade, quando começou a fazer aulas de instrumento. Em suas estadas veraneias em Conceição do Mato Dentro, convivia expectante nos ensaios da Banda Marcial da cidade, onde seu primo era trompetista. Ali se arriscou a pleitear seu primeiro cachê tocando junto ao primo num pequeno boteco, onde em um dueto de “Piston” e Violão foram recompensados pela plateia com uma garrafa de refrigerante. Em meio aos adolescentes da cidade, recebeu a alcunha de “Mamute”, bullying frustrado pela criança excêntrica e gorda, cujo sentido foi pervertido ao seu vigoroso favor. Apartir daí começou a tocar nas missas da cidade junto a sua tia, no coral da igreja. Acompanhava os senhores tocadores e se fazia presente em várias ocasiões religiosas como instrumentista, recorrente nas festas de São Sebastião, realizadas nos meses de Janeiro, quando estava em Conceição. Em BH participava do coral de sua escola, e também a convite de sua prima maestrina de corais infanto-juvenis, se apresentava em seus projetos, gravando também no CD “Verde Maravilha” (2003) de Rubinho do Vale e Cláudia Duarte. No mesmo ano começa a estudar violão erudito no curso básico da Escola de Música da UEMG, onde permanece por três anos.

Engajou-se em movimentos estudantis na Escola Estadual Marlene Pereira Rancante, fundando um Grêmio e organizando eventos culturais. Lugar onde fez suas primeiras apresentações musicais, além dos corais, e que teve contato com o projeto “Cantando a História do Samba”, experiência que ampliou sua perspectiva musical apartir daquele momento. À convite da escola, para tocar nos cultos ecumênicos de suas formaturas, conheceu o baixista Eduardo Leão, que em outrora havia tocado piano no coral que cantava, da escola anterior. Encontro que rendeu para além dos ensaios de formaturas, na formação de sua primeira banda, “Os camarões”. Subindo ao palco pela primeira vez, em março de 2007, com o pernambucano Glauber Cisneiros, terceiro elemento da banda que assumia a bateria, tocando canções do rock nacional e começando a se apresentar por outros lugares, conquistando em julho do mesmo ano o primeiro lugar no Festival Estudantil Maestro Villa Lobos.

O envolvimento com a cena musical alternativa de Belo Horizonte, confluiu na atuação de Mamutte como produtor de shows e eventos na Casa Cultural Matriz, afim de promover espaços e oportunidades para apresentações de bandas e artistas iniciante. Em meio a descoberta profissional que ali se dava, começa a experimentar o processo de composição. “Os Camarões” se potencializam com o quarto elemento, Rafael Bruno, que chega com a guitarra elétrica às canções, antes acústicas, e já abre a trajetória no ano de 2008 ganhando o primeiro lugar do Festival da Canção Universitária da ASSUFEMG no XXIII Rosas de Abril na UFMG. Em novembro do mesmo ano foram convidados a participar da Mostra Revelação de Novos Talentos realizado pelo SESC Venda Nova e em dezembro foram premiados com o segundo lugar do Festibandas da rádio Extra FM e UNI-BH.

No ano seguinte com a mudança do baterista para o sul do país a banda se dissipa e Mamutte começa a se apresentar sozinho na noite belorizontina, retornando ao bairro de Santa Tereza, onde tocou durante todas as quintas-feiras de 2009 no Masalas Bar Casa. Em 2010 é convidado para tocar pela primeira vez em Conceição do Mato Dentro, na ocasião do encerramento do festival gastronômico da cidade. Mamutte assina o show ainda como “Os Camarões”, mesmo tendo apenas a permanência do guitarrista da banda original, e sobe ao palco com Thiago Fernandes na bateria e Daniel Ferreira no baixo, momento que prenunciava a mudança de perspectiva do trabalho, no mesmo momento em que começou a cursar a graduação em Artes Visuais na UEMG. O segundo “t”, entra na configuração do pseudônimo resignificando o sentido e autoafirmando a identidade artística que começava a ser notada naquele novo momento de sua experiência estética. A relação com o corpo atuante do palco, começa a se desdobrar em insurgências visuais que culminaram no aprofundamento de sua pesquisa na arte da performance. Participando do processo de montagem do espetáculo “Macumba Antropófaga” com o Teatro Oficina Uzyna Uzona (SP) no Instituto Inhotim, onde estagiou e desenvolveu processo de trabalho educativo que partia do corpo e de possibilidades expressivas da performance.

Com uma frequência menor de apresentações, monta uma primeira proposta de show solo, intitulado “Música Brasileira Colorida”, na qual prenuncia os primeiros vestígios de intermidialidade em seus atos. Sendo convidado pelo tradicional festival cultural “Projeto Matriz”, em 2012, em Conceição do Mato Dentro para a integrar a sua programação ao lado de Mart’nália e outros artistas consolidados da capital mineira. Quando estreia nesta ocasião o novo show “El Mamutte”, apresentado desta vez em banda, com um repertório que fundia músicas autorais e canções pop, mesclando ritmos afro-brasileiros e as sonoridade do rock, que só veio a circular em Belo Horizonte em 2015, em Centros Culturais da Fundação Municipal de Cultura.

Mamutte segue paralelamente se dedicando as Artes Visuais, produzindo assemblage, esculturas, objetos, fotografias, performances e vídeos. Investindo na pesquisa expressiva do corpo, por se deparar com frequentes adversidades e microcensuras em relação às representações genitais presentes em seus trabalhos. A bunda, objeto recorrente na obra do artista, fez-se uma marca em suas elaborações estéticas. Escreveu sobre o tema “Sexualidade e Expressão Plástica: signos do erotismo e do pornográfico na arte contemporânea brasileira” na conclusão da graduação. Realizando sua primeira exposição individual a convite da curadoria de artes plásticas do Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana em 2013, quando concomitantemente expôs registros de performance, e suas bundas na “Casa de la Aurora” em Buenos Aires (AR) na ocasião do “Escena Fractal – 3er encuentro de performance independiente de escala”. Dentre outros eventos e mostras que performou trabalhos diversos e expôs seus registros, no mesmo ano, foi um dos artistas convidados para realizar a primeira cena de nudez da história da televisão aberta brasileira, no programa Amor & Sexo da TV Globo.

Diante da inviabilidade de recursos para elaborar um material discográfico, resolve em 2014, publicar suas composições pela internet, em formato digital, intitulado “Não-Disco (de fundos de quarto – Grunidos, Cordas e Samplers)”, dentro das contingências de um registro caseiro, realizado em parceria com o músico Jorge Lucca, que mixou e sampleou, junto aos solos de guitarra, quatro canções gravadas sem o acompanhamento de banda. Afim de experimentar os ritmos de matriz banto em suas criações, Mamutte vai a Pernambuco conhecer a musicalidade local, onde teve contato com vários grupos e mestres da tradição, como Lía de Itamaracá, Dona Selma do Coco e Mãe Beth de Oxum, que recentemente veio a participar de um show de Mamutte em Brasilia (DF), na 3° Conferência Nacional da Juventude (2015). Iniciando o processo de produção de seu álbum de estreia, junto a Adner Sena e Edson Zacca, o EP “Quase-disco” gravado na cidade de Mariana (MG) em parceria com músicos locais, experimentando sonoridades regionais e expressões urbanas. Momento em que Mamutte ganha alguma visibilidade na capital ao participar do “Concurso de Marchinhas Mestre Jonas” como interprete de “Essa Cana-bidiol”, ganhadora do terceiro lugar no carnaval de 2015. Sucedendo com o lançamento do CD e o inicio de apresentações com casas cheias e o inicio de sua aceitação em alguns eventos da cidade, viabilizados por meio de editais.


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