Mamutte


Críticas


"Artista polivalente reúne bagagem para primeira apresentação de nova fase da carreira - Quando Mamutte subir ao palco [...] será para coroar uma jornada. O show de lançamento do EP 'Quase-disco' é ápice na busca do multiartista mineiro por um espetáculo formado exclusivamente de criações próprias." (Estado de Minas)


“[...] a voz poética de Mamutte, nas entrelinhas, desconfia da potência própria e soberana do objeto. Uma das razões que explica o aspecto “quase” ressaltado pelo cantor pode ser apresentada assim: não é mais o sujeito que deseja, é o objeto que seduz. Engana-se quem acha que tudo parte do objeto e a ele tudo retorna, como tudo parte da sedução e não do desejo.” (Observatório da imprensa)


“O primitivismo requintado de Mamutte – Inquieto e curioso [...] o cantor e compositor, que também é artista plástico e performer, começou a pensar nas formas de viabilizar sua música, que dialoga com temas distintos, amor, sociedade e expressões culturais [...] gravou três canções espirituosas [...]” (Jornal O Tempo)


“Alguém que faz um funk carioca com versos como “Caetano pode, Caetano é cool” [ouve-se “cu”] merece todo respeito do mundo. Carimbó, maracatu e viola caipira também estão no Quase-disco (2014) do Mamutte, seu EP de estreia.” (Revista Noize)


“O artista, o (anti)herói e os músicos que vi no palco na estreia de Quase-disco não negam esforços e não poupam armas, mesmo aquelas que são usadas pela via oposta – o troco – no gatilho. El Mamutte deve saber muito disso; ele é como aqueles que privilegiam a inteligência como um prazer quase sexual, quase porque se prolonga além do gozo, muito além.” (O Jardim Elétrico)


O SOM CARMIM


“Instaura-se uma dobra quando Mamute entra no palco. Observável, claro, no modo como, cantando, vai dançando também o que canta. Sim, é do artista de palco, dançar a própria música. Mas, aqui, como dito, trata-se de uma “instauração”. Não apenas um corpo a seguir os ritmos da canção. Não apenas canção impondo espécie de coreografia para o que se ouve. É seguramente um som e um corpo, mas é também o espaço no qual eles se encontram. [...] pode se falar também de “gozo” o que experimentamos em determinadas apresentações do artista em questão. [...] este tal gozo além do flerte com um estado permanente de excitação, concebe-se como elemento criativo, à medida que vê, ouve, move-se em uma espécie de contradança com o que está acontecendo no palco. Sente-se, por isso, como dentro de um cortejo, profusão de ritmos, as cores igualmente dançando, caras e bocas jocosas dando deixa para o público, salivas, sem contar que aquele que topa o momento, vai meio entrando em uma viagem que, nestas paragens mineiras, acostumamos a sentir quando passa a procissão, ou lá vem os tambores anunciando os negrinhos dourados nas festas de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, entre outras. [...]” (Mario Geraldo da Fonseca, 2015)


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A MODÉSTIA DO QUASE


“[...] As três faixas que compõem o EP, longe de revelar um minimalismo da obra do cantor, expõem sua a versatilidade: passando pelo baião, frevo, forró, bem como pelo rock [...] os jogos sonoros, o gosto por paronomásias formam essa “poética do sensual” que atravessa a obra de Mamutte, multi-artista que além de músico é poeta e performer. São contundentes, a propósito, as performances que o artista faz, sondando potencialidades eróticas e políticas do corpo. [...] As letras do “Quase disco” são para quem tem uma sexualidade livre (em salutar oposição a tempos conservadores, tempos religiosamente obscuros), para quem consegue gozar com o caráter livre e provocativo da arte. “Carnavaliza aí”, verso final de “Funcool”, fulgura como um bom recado do multi-artista, frente a tempos tão cinzas, pragmáticos: é preciso carnavalizar, subverter; é preciso abster, esquecer da carne para ter o prazer da/na carne (prazer efetivo, não aquele forjado em manifestação artísticas inócuas). [...] “Quase” então é modéstia; é “performance” de quem muito faz (ou então uma provocativa ironia para quem gravou um disco inteiro sem uma fração da lei de incentivo). Nesse jogo autobiográfico e metalinguístico, Mamutte deixa entrever não só talento, mas obstinação. [...] Se Gil queria “contactar Os lares do Nepal, os bares do Gabão”, Mamutte poetiza seu processo de gravação que se expande para o mundo, casando africanidade a (onipresentes) estrangeirismos tecnológicos. Assim, o compositor liga tradição ao novo, culminando no final de “Quase-disco”: um entorpecimento de quem está numa roda de capoeira, de quem dança num terreiro, de quem conclui e – goza – a tarefa colossal de gravar – por conta própria – um belo álbum.” (Paulo Caetano, “A modéstia do quase”, 2015)


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