Mamutte


Discografia


Quase-Disco (2014)




“[...] As três faixas que compõem o EP, longe de revelar um minimalismo da obra do cantor, expõem sua a versatilidade: passando pelo baião, frevo, forró, bem como pelo rock [...] os jogos sonoros, o gosto por paronomásias formam essa “poética do sensual” que atravessa a obra de Mamutte, multi-artista que além de músico é poeta e performer. São contundentes, a propósito, as performances que o artista faz, sondando potencialidades eróticas e políticas do corpo. [...] As letras do “Quase disco” são para quem tem uma sexualidade livre (em salutar oposição a tempos conservadores, tempos religiosamente obscuros), para quem consegue gozar com o caráter livre e provocativo da arte. “Carnavaliza aí”, verso final de “Funcool”, fulgura como um bom recado do multi-artista, frente a tempos tão cinzas, pragmáticos: é preciso carnavalizar, subverter; é preciso abster, esquecer da carne para ter o prazer da/na carne (prazer efetivo, não aquele forjado em manifestação artísticas inócuas). [...] “Quase” então é modéstia; é “performance” de quem muito faz (ou então uma provocativa ironia para quem gravou um disco inteiro sem uma fração da lei de incentivo). Nesse jogo autobiográfico e metalinguístico, Mamutte deixa entrever não só talento, mas obstinação. [...] Se Gil queria “contactar Os lares do Nepal, os bares do Gabão”, Mamutte poetiza seu processo de gravação que se expande para o mundo, casando africanidade a (onipresentes) estrangeirismos tecnológicos. Assim, o compositor liga tradição ao novo, culminando no final de “Quase-disco”: um entorpecimento de quem está numa roda de capoeira, de quem dança num terreiro, de quem conclui e – goza – a tarefa colossal de gravar – por conta própria – um belo álbum.” (Paulo Caetano, “A modéstia do quase”, 2015)


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